segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Caricatura de João César Monteiro



Considerado por muitos, o cineasta maldito, João César Monteiro era e é, pois a sua obra perdura, um dos meus cineastas portugueses favoritos.


“Recordações da casa amarela” e “A comédia de Deus” estão entre as longas-metragens da minha eleição. Ambos os filmes estão imbuídos de um humor e uma ironia de fino e subtil recorte.

A sua imagem de marca era o cigarro eternamente esquecido entre os dedos esfíngicos.

Por vezes, o cigarro auto consumia-se em cinza, cujo morrão desafiava as leis da física e permanecia até ao derradeiro encontro com o filtro, com a forma texturada do que fora antes um cigarro.

Quando o recordo, é essa a imagem que emerge: olhos esbugalhados, com um discurso aparentemente sereno e comedido, mesmo quando ofendia deliberadamente os jornalistas que o entrevistavam.



Recordo uma entrevista para a televisão. Quando questionado para a forte componente erótica do filme, “ A comédia de Deus” entre outras coisas disse:

-Ó minha senhora: nesta vida tudo é comestível! A senhora não sabe isso?

Enquanto falava, o tal cigarro permanecia intacto entre os dedos da mão estática, embora reduzido a cinza.
Não vi um dos seus derradeiros filmes, “ Branca de Neve”, mas parece que também ninguém viu.

“João César Monteiro Santos (Figueira da Foz, 2 de Fevereiro de 1939 — Lisboa, 3 de Fevereiro de 2003) foi um cineasta português. Integrou o grupo de jovens realizadores que se lançaram no movimento do Novo Cinema. Irreverente e imprevisível, fez-se notar como crítico mordaz de cinema nos anos sessenta.

Prossegue a tradição iniciada por Manoel de Oliveira (Acto da Primavera) ao introduzir no cinema português de ficção o conceito de antropologia visual — Veredas e Silvestre (filme) —, tradição amplamente explorada no documentário por outros cineastas portugueses como António Campos, António Reis, Ricardo Costa, Noémia Delgado ou, mais tarde e noutro registo, Pedro Costa.

Segue um percurso original que lhe facilita o reconhecimento internacional. Várias das suas obras são representadas e premiadas em festivais internacionais como o Festival de Cannes e o Festival de Veneza (Leão de Prata: Recordações da Casa Amarela).”
Biografia:

(…)“Pertence a uma família da burguesia rural, anticlerical e anti-salazarista. Aos quinze anos, para prosseguir os estudos liceais, transfere-se com a família para Lisboa, a "capital do Império", tendo estudado no Colégio Moderno, de onde seria expulso.

É dos poucos cineastas associados ao movimento do novo cinema que não prossegue estudos universitários. A propósito, o seu alter-ego, no filme Fragmentos de um Filme Esmola (1973), explica-se assim: «A escola é a retrete cultural do opressor».

Começa a trabalhar como assistente de realização de Perdigão Queiroga. Em 1963, graças a uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, vai para a Grã-Bretanha estudar na London School of Film Technique. De volta a Portugal, em 1965, inicia a rodagem do que viria a ser a sua primeira obra: Quem espera por sapatos de defunto morre descalço. O filme só será concluído cinco anos depois, como média-metragem.

A sua obra, polémica e dificilmente classificável, caracteriza-se pelo lirismo, em forma de filmes-poema. A sua veia satírica como realizador tem sido objecto de estudo para portugueses e estrangeiros, críticos e académicos. João César Monteiro, que tem sérios detractores, é conhecido como um dos mais importantes realizadores portugueses.”

Morreu de cancro em 2003.



Longas metragens:


Fragmentos de um Filme Esmola (A Sagrada Família - 1972)

Que Farei Eu com Esta Espada? (1975)

Veredas (1978)

Silvestre (1982)

À Flor do Mar (1986)

Recordações da Casa Amarela (1989)

O Último Mergulho (1992)

A Comédia de Deus (1995)

Le Bassin de John Wayne (1997)

As Bodas de Deus (1999)

Branca de Neve (2000)

Vai e Vem (2003)

Foi também produtor e realizador de muitas curtas- metragens.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Eça 2



"Poupe-se ao boi a vista ao malho."


"Se a tua dor te aflige, faz dela um poema."

"no fundo, nós somos todos fadistas: do que gostamos é de vinhaça e viola e bordoada, e viva lá sô compadre (acerca os portugueses)"

"Portugal é um país muito bonito, o problema é os Portugueses."

"Que mérito há em amar os que nos amam?"

"Ah nunca homem deste século batalhou mais esforçadamente contra a seca de viver."

"O riso é uma filosofia. Muitas vezes o riso é uma salvação. E em política constitucional, pelo menos, o riso é uma opinião."

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Caricatura de Eça de Queiroz



Frases de Eça de Queiroz sobre os políticos e a política do seu tempo:

" Os políticos e as fraldas
devem ser mudados frequentemente,
pela mesma razão."

" Este governo não cairá,
 porque não é um edifício.
Sairá com a benzina,
porque é uma nódoa."

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Experiência Pop Art





Exagerando a caricatura anterior, resolvi fazer uma experiência Arte Pop ou "Pop Art".

Ver outra publicações aqui :

http://www.personality.com.ro/caragiale_6.htm
http://www.personality.com.ro/vintila_corbul.htm
http://www.personality.com.ro/portugal.htm

Caricaturas dos escritores romenos Corbul Vintila e Caragiale




caricaturas dos escritores Corbul Vintila e Ion Luca Caragiale , este último (1 de fevereiro de 1852 — 9 de junho de 1912) foi um dramaturgo e escritor romeno.
 Começou sua carreira como escritor publicando a uma série de poemas na revista "Ghimpele".

 Tornou-se um dos líderes do movimento literário mais importante do seu tempo, Junimea, o qual lançou importantes nomes da literatura romena como Ion Creangă e Mihai Eminescu ( Já aqui caricaturado). As suas peças são caracterizadas pela construção clássica e observação perspicaz das realidades sociais do  seu tempo, aliadas a uma  subtil  ironia.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O nascimento de uma caricatura


Este é o processo que habitualmente utilizo na elaboração de uma caricatura: esboço inicial a lápis; marcador e posterior tratamento no  photoshop. Este programa apresenta um enorme potencial no tratamento da imagem.

 Partindo do desenho, pode chegar-se a valores, texturas e brilhos próximos da realidade fotográfica. O inverso também é verdadeiro: partindo da fotografia pode chegar-se a valores próximos do desenho e da pintura. Eu utilizo comummente o primeiro método, mas não me coíbo de utilizar pontualmente a fotografia, nomeadamente no tratamento de fundos e  detalhes, como o vestuário dos visados nas caricaturas.

Acresce que sou um autodidacta na utilização do photoshop, aprendi tudo através de muitas tentativas e, muitas vezes, tirando partido dos pequenos acidentes. Também se aprende errando.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Caricaturas de personalidades Romenas





Foi com grande satisfação que recebi por parte de Nicolae Ionita, da Associação de "cartoonistas" da Roménia, um convite para participar no evento que levaram a cabo naquele país, alusivo à seguinte temática:
Caricaturas de personalidades romenas de destaque.

Elaborei em menos de três dias, as caricaturas de Mihai Eminescu ( poeta romeno) e Michifor Crainic, escritor, filósofo, editor e teólogo, com a mesma nacionalidade.

O trabalho, ao que parece agradou e também pode ser visto nos seguintes endereços electrónicos:

http://www.personality.com.ro/eminescu_3.htm
http://www.personality.com.ro/nichifor_crainic.htm
http://www.personality.com.ro/portugal.htm



-

sábado, 1 de janeiro de 2011

Uma aventura alentejana - trilogia do trocadilho e do choque de idiomas



Caricatura de M. Alegre- Primeiro "post" de 2011




Desejo à gente que por aqui passa,
Um Ano Novo feliz
Para que não vos tirem a massa,
Terão de mudar de país.

Mesmo na crise mais escura,
Em tempos de ingratidão,
Há sempre alguém que não descura
O grito de contestação.

(Adaptação muito livre de um poema conhecido)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Dignidade- Exposição Internacional de "Cartoon"

 Vídeo do Certame " Dignidade", levado a cabo pela Amnistia Internacional e  Feco Portugal ( Associação de cartoonistas). Esta exposição, teve uma primeira mostra em Lisboa , tornando-se posteriormente itinerante.

 Nesta altura encontra-se aberta ao público na cidade do Porto.
O catálogo pode ver-se aqui:   http://www.youtube.com/watch?v=B9bbFjepDTY

Altar Eleitoral

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Justiçeiro implacável (num cinema perto de si)



Este não é um manifesto de propaganda favorecendo algum candidato presidencial! Ainda não sei em quem vou votar, ou se irei realmente fazê-lo!

o Justiçeiro

domingo, 26 de dezembro de 2010

Mister Burns



Produções Felizardo apresentam : Caricatura de Mr Burns, com bigode podia se o "nosso" Champalimaud.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Exposição Internacional de Arte INROT-6- Rotary Internacional



Corria o ano de 2003, quando participei com um trabalho no INROT-6 - Exposição Internacional de Arte - Agrupamento de clube de Rotários Badajoz, Mérida, Cáceres, Portalegre; Castelo Branco e Évora.

 É apresentado aqui como  consta do catálogo da exposição em causa.

Este desenho foi executado a partir de um esboço realizado num espaço arquitectónico aquando de uma visita de estudo a uma catedral, no âmbito da cadeira de História de Arte, quando frequentava o curso de Artes Plásticas- Escultura, da faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

Shawshank




The Shawshank Redemption (  Os Condenados de Shawshank) é um filme Americano de 1994 escrito e dirigido por Frank Darabont baseado num conto do escritor Stephen King, intitulado "Rita Hayworth and Shawshank Redemption". Foi nomeado para sete Oscares, embora não tenha ganho nenhum.

Aqui estão caricaturados os dois principais protagonistas: Tim Robbins como Andy Dufresne
 e Morgan Freeman , no papel de Ellis Boyd "Red" Redding. É um daqueles fimes que passa vezes sem conta no canal Hollywood e nas longas matinés ( Devido à longa duração dos anúncios) dos canais portugueses generalistas. Apesar de não ser um épico, vê-se com agrado.


Boa parte do filme foi rodado na Penitenciária Estadual de Mansfield, em Ohio, que estava desativada na época das filmagens. Como a penitenciária estava em péssimas condições, foi necessário que se fizesse uma pequena reforma que deixasse o local em condições para que se pudesse rodar o filme.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Caricatura de Fernando Pessoa



Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.



Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...



É a Hora!



Fernando Pessoa

Video da Bienal Luís D`Oliveira Guimarães alusivo ao teatro

http://www.youtube.com/watch?v=e2R2Q8F3Ypg&feature=player_detailpage

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Exposição Internacional de "Cartoon"- DIGNIDADE- Póvoa do Varzim




Inaugurou no passado sábado, a exposição internacional de "Cartoon", subordinada ao tema: A dignidade, na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto na Póvoa de Varzim. A minha participação pode ver-se nestas imagens. Curiosamente já leccionei, nos anos oitenta, na Escola Secundária desta cidade e que também tem como patrono Rocha Peixoto.

Para mais informações consultar o "site":  http://fecoportugal.blogspot.com/

domingo, 28 de novembro de 2010

Caricatura do cartunista Campus

Durante esta semana, Ricardo campos, um colega destas “andanças” da caricatura, “hobby” que partilhamos, pelo menos no meu caso, é mesmo  um passatempo, visto que não vivo desta actividade, lançou-me o seguinte repto: Uma permuta de caricaturas, ou seja, eu faria a sua e ele a minha. Aceitei o desafio e procurei fotos suas na Internet.

Quando se faz uma caricatura, à distância, não conhecendo bem a personalidade da vítima, devemos observar em primeira instância nos traços fisionómicos ou nos pequenos “defeitos” a partir dos quais vamos hiperbolizar o rosto em causa. Às vezes não é fácil, sobretudo se o caricaturado tem um rosto muito “certinho”. Se estiver munido de um generoso nariz; testa alta e outros atributos que tais, a tarefa torna-se mais fácil . É certo no entanto, que toda a gente, com maior ou menor dificuldade, é caricaturável . Não sei porquê, talvez por ele ser do Norte assumi que professasse a religião portista e vesti-o de azul e branco. Sabendo posteriormente que era benfiquista, vesti-lhe a roupagem das águias. Reposta a verdade desportiva, eis aqui o resultado.



quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Caricatura de Osvaldo Macedo de Sousa



Dedico esta caricatura ao grande divulgador, Historiador e especialista internacional de humor gráfico, Osvaldo de Sousa. Terei exagerado bastante nas bochechas, pois o caricaturado ostenta actualmente um rosto mais magro e longo, ainda assim, creio ter captado alguma essência da sua fisionomia .

sábado, 30 de outubro de 2010

Caricatura de "Jimi" Hendrix



( Clicar para aumentar)

"James Marshall "Jimi" Hendrix (nascido Johnny Allen Hendrix; Seattle, 27 de novembro de 1942 – Londres, 18 de setembro de 1970) foi um guitarrista, cantor e compositor norte-americano. Frequentemente é citado por críticos e outros músicos como o maior guitarrista da história do rock, e um dos mais importantes e influentes músicos da sua época, em diferentes diversos géneros musicais. Depois de obter sucesso inicial na Europa, conquistou fama nos Estados Unidos depois da sua "performance" em 1967 no Festival Pop de Monterey. Hendrix foi a principal atração, dois anos mais tarde, do icónico Festival de Woodstock e do Festival da Ilha de Wight, em 1970. Hendrix dava preferência a amplificadores distorcidos e crus, dando ênfase ao graves e aos agudos, e ajudou a desenvolver a técnica, até então indesejada, da microfonia. Hendrix foi um dos músicos que popularizou o pedal wah-wah no rock popular, que ele utilizava frequentemente para dar um timbre exagerado aos seus solos, particularmente com o uso de bends e legato baseados na escala pentatónica. Foi influenciado por artistas de blues como B.B. King, Muddy Waters, Howlin' Wolf, Albert King e Elmore James, guitarristas de rhythm and blues e soul como Curtis Mayfield, Steve Cropper, assim como de alguns artistas do jazz moderno. Em 1966, Hendrix, que tocou e gravou com a banda de Little Richard de 1964 a 1965, foi citado como tendo dito: "Quero fazer com minha guitarra o que Little Richard faz com sua voz." (...)