sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Artigo de opinião do Jornal de Nisa





Acabar é uma arte. E, como todos sabemos, esta função nem sempre é bem assumida pelos seus executantes, como veremos mais adiante, neste mesmo texto.
Nestas ultimas semanas, os portugueses têm assistido, estupefactos, a uma avalanche de acontecimentos surreais, na realidade da política nacional que, chegam mesmos a ultrapassar a própria ficção, não olhando a meios, para atingir os fins.
Tal como nas artes mais nobres, na política houve tempos em que havia, uma coisa chamada de “bom senso”, caracter, compromisso ou sentido de responsabilidade, mas que o tempo e as novas gerações têm feito desaparecer do panorama político-partidário, substituindo-o por outros conceitos mais vulgares, e próprios dos momentos que vivemos, como o clientelismo ou o servilismo, isto é, a força e o poder do capital sobre o cidadão e o homem livre.
Cada vez são menos, aqueles que têm sentido de missão e, desejam abraçar uma causa ou um compromisso com a sua comunidade, de forma a defende-la, resolvendo e lutando pela resolução dos reais problemas dessas populações. E, para isso existem governos, com poder executivo. O que contraria, o momento atual, em que não sabemos, literalmente, quem governa, este pedaço de terra.
Então, passemos a explicar, primeiro demite-se o Ministro de Estado e das Finanças, Victor Gaspar, numero dois do governo, afastando-se, sem antes, tornar publica uma polémica carta, dirigida ao Primeiro-Ministro, onde se retrata a si próprio e à sua errada politica, aplicada durante dois longos e pesadíssimos anos, sobre os portugueses.
Logo a seguir, demite-se o Ministro de Estado e dos Negócios Estrageiros, Paulo Portas, número três do governo, o qual não é aceite, pelo primeiro-ministro.
O presidente da República, fala ao país, num discurso codificado, somente acessível a seres extraterrestres adaptados com a box da MEO. O que a meu ver, só pode mesmo, ser entendida como uma medida de prevenção contra as escutas, criando uma situação de caos político, nunca antes assistido, num país democrático. Limitando-se a fazer uma espécie de jogos florais, dirigida por uma política inexistente, fazendo-se passar como um fantasma, que paira na política nacional, há mais de trinta anos!
Num outro registo, mais irritada e crispada, nos brindou a segunda figura do Estado, a Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, na sessão plenária da passada quinta-feira, gritando de forma soberba, com os manifestantes, que se encontravam nas galerias, para que estes abandonassem as mesmas os mais rápido possível. Assunção Esteves não se enervou apenas. Caiu-lhe uma mascara que tinha mantido até então, e veio ao de cima o seu lado mais autoritário, fazendo uma sugestão, uma declaração e uma citação, após o acontecimentos.
A sugestão foi que se repensasse a possibilidade do público deixar de ter acesso à casa da democracia, a declaração foi a de que "não fomos eleitos para sermos amedrontados, desrespeitados". E a citação foi de Simone de Beauvoir: "Não podemos deixar que os nossos carrascos nos criem maus costumes".
Mas, afinal o povo é soberano, ou não? A constituição diz que sim, mas alguns políticos mais bolorentos, ainda pensam o contrário. Acabar, terminar ou saber sair no tempo certo, pode ser uma virtude, por isso a palavra tem que ser devolvida ao cidadão, já!


 JOSÉ LEANDRO LOPES SEMEDO

* Cartoon de Hermínio Felizardo in http://felizardocartoon.blogspot.pt

Portugal profundo